Larissa Tenório transforma experiência no mercado óptico em negócio com identidade própria
Clipagem
02 de outubro de 2026
Aos 15 anos, Larissa Tenório começou a trabalhar como panfleteira em uma ótica. O primeiro contato com o mercado óptico aconteceu cedo e, três anos depois, ela já estava empreendendo, vendendo óculos de porta em porta. A experiência ajudou a construir uma empresária que aprendeu o negócio diretamente com o consumidor e, a partir dessa vivência, criou a Lunettes By Lari.
No início, o objetivo era vender e gerar renda. Mas a relação construída com os clientes mostrou que havia algo maior. As pessoas não procuravam apenas as armações, mas também a forma como eram atendidas, a curadoria dos produtos e a experiência proporcionada pela empreendedora. Foi a partir dessa percepção que Larissa começou a transformar a operação em uma marca, investindo em identidade, posicionamento, experiência do cliente, processos e pós-venda.
“Antes de vender um produto, é preciso entender a necessidade de quem está do outro lado. Eu precisava conquistar a confiança das pessoas, apresentar uma solução, ouvir e criar relacionamento”, afirma.
A proximidade com o consumidor, desenvolvida ainda nas vendas de porta em porta, continua sendo parte da forma como a Lunettes se relaciona com seu público. A proposta é entender não apenas o grau e a necessidade visual, mas também a rotina, o estilo e aquilo que cada pessoa deseja transmitir por meio dos óculos.
Para Larissa, essa abordagem parte de uma mudança na própria maneira de enxergar o produto. Os óculos deixaram de ser apenas um item necessário para corrigir a visão e passaram a ocupar também um espaço de identidade e expressão pessoal. A Lunettes foi construída a partir dessa combinação entre saúde visual e estilo, buscando fazer com que o cliente encontre uma solução que também tenha relação com quem ele é.
O relacionamento é um dos pilares dessa estratégia. Além do atendimento personalizado e do cuidado no pós-venda, a marca também criou alternativas para ampliar o acesso aos óculos, como o “carnêzinho da Lari”, iniciativa que integra a estratégia de relacionamento da empresa com diferentes públicos.
“Acredito que fidelização não acontece apenas por preço. Ela acontece quando o cliente sente que foi bem cuidado. Quero que a pessoa compre na Lunettes e tenha vontade de voltar, não apenas porque precisa de um novo óculos, mas porque confia na marca”, diz.
A construção da Lunettes também está ligada à história pessoal de Larissa como mulher negra e empreendedora. Em um mercado tradicional, ela encontrou desafios relacionados à necessidade de demonstrar sua capacidade e, ao longo da trajetória, passou a enxergar a própria posição como uma oportunidade de ampliar a representatividade no ambiente empresarial.
Essa visão está presente na forma como conduz a empresa. Para Larissa, representatividade não deve aparecer apenas na comunicação, mas também nas equipes, nas contratações, no desenvolvimento de pessoas e nas relações estabelecidas com fornecedores e parceiros.
“Não quero ser apenas alguém que chegou lá; quero também abrir portas para que outras pessoas possam chegar”, afirma.
Com uma marca construída a partir dessa experiência, o desafio agora está relacionado à escala. A empresária trabalha para transformar conhecimentos e decisões que durante muito tempo estiveram concentrados nela em processos capazes de acompanhar o crescimento da empresa. Gestão financeira, pessoas, vendas, atendimento, estoque, indicadores e cultura organizacional passam a ter um papel cada vez mais importante nesse momento do negócio.
“Quando você começa pequena, muitas decisões passam diretamente pelo fundador. Conforme a empresa cresce, isso deixa de ser sustentável. É preciso estruturar processos, gestão financeira, pessoas, vendas, atendimento, estoque, indicadores e uma cultura organizacional clara”, explica.
Larissa também acompanha as transformações do mercado óptico, que, na sua avaliação, deve aproximar cada vez mais saúde visual, tecnologia, personalização e moda. Para ela, o consumidor está mais informado e busca não apenas entender o que está comprando, mas também encontrar produtos que façam sentido para sua rotina e identidade.
É nesse cenário que a empresária projeta os próximos capítulos da Lunettes. O objetivo é fortalecer cada vez mais a marca e ampliar seu reconhecimento nacional, mantendo a proximidade e a identidade que começaram a ser construídas muito antes da primeira loja.
“Eu comecei vendendo óculos de porta em porta. Hoje, olho para tudo o que construí e vejo que aquilo que começou como uma necessidade de sustento se transformou em um propósito”, afirma Larissa. “Meu próximo grande passo é fazer a Lunettes chegar ainda mais longe, sem perder aquilo que nos trouxe até aqui: resiliência, estilo, cuidado, representatividade e propósito.”
